Mona está depressiva. Logo cedo abre os olhos, olha para o céu. Se pergunta porque não esta se sentindo bem apesar de ver um Sol tão brilhante em sua janela. Vira algumas vezes na cama até finalmente levantar-se.
Vagarosamente troca de roupa e sai do quarto. Demora mais que o habitual para tomar o café e escovar os dentes.
Olha para o relógio e não se importa por já passar das 9 horas.
O telefone toca e seu esposo pede para comprar loção de barba, se prontifica apesar de não ter intenção de sair de casa.
Mona decide ir no final da tarde, não pretende tomar Sol, afinal seu marido só voltará depois das 9 da noite.
Após as 18 horas Mona vai até o quarto se arrumar para sair, mais uma vez demora mais que o habitual, fica na janela olhando as pessoas passearem com seus cachorros, filhos, de bicicleta e suspira sem vontade, sem animo.
Senta na cama, pensa na vida, no desanimo que a domina, procura forças para levantar, mas acaba deitando na cama em posição de concha e uma lágrima escorre de seu rosto.
“Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!”- fala repetidas vezes e dá um longo suspiro escondendo o rosto no lençol.
Mona fica nessa posição durante longos minutos, até se mover vagarosamente. Não encontra animo para fazer mais rapido, enfim levanta-se.
“Já que vou ter que sair, que seja me distraindo com música.” – pensa enquanto pega o fone de ouvido.
Ainda sem vontade abre a porta de casa, desce as escadas do prédio e toma a rua.
Escolhe uma música suave para ouvir enquanto observa o movimento da rua.
“Até que não tá tão ruim aqui!” – conclui puxando o ar.
Aos poucos vai se sentindo mais leve.
“Nossa! Em casa eu estava tão incomodada que me angustiava, uma sensação de que a casa estava em cima de mim, sem espaço. Aqui as pessoas passam despreocupadas, tem espaço para todos passarem sem se chocarem ou trombarem, tem arvores, movimento. Acho que tenho que sair mais vezes de casa. A angustia cresce quando fico lá dentro.” – pensa ao entrar na loja para comprar a loção para o marido.
Volta para casa mais leve, ainda triste, mas mais disposta para continuar sua jornada, seu desafio de viver um dia após o outro tentando não esquecer da frase que ouvira a muito tempo: “O amanhã ainda não veio… ele pode ser seu.”
Publicado por: sejaosol | quinta-feira, 7/abril/2011
Depressão
Publicado em Auto Estima, dia a dia, vida